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Protagonismo feminino: mulheres fazem a diferença na segurança pública de SP

Elas realizam mergulhos em busca de vítimas de afogamento, comandam tropas de operações especiais de policiamento, lideram o esclarecimento de crimes em todo o estado e apoiam vítimas de violência. As mulheres ganham cada vez mais destaque nas forças de segurança pública do Estado de São Paulo.

No mês em que celebramos a força feminina, algumas das mulheres de destaque na segurança de São Paulo falam sobre suas trajetórias. São elas a comandante da região central de São Paulo, tenente Coronel Rosemeire; a diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo; a médica legista da Polícia Científica Mariana da Silva Ferreira; a mergulhadora dos bombeiros sargento Jaqueline Suzan; e a PM responsável pelo policiamento em 43 municípios, coronel Adriana Roledo Belluzzo.

Tenente coronel Rosemeire, responsável pelo policiamento no centro da capital

“Hoje, a mulher exerce as mais diversas funções. Desde que ela tenha competência, pode fazer o que quiser dentro da PM”, afirma a tenente coronel.

Desde 2022, a tenente coronel Rosemeire Vitonto dos Santos está no comando do 7° Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), que tem em sua área locais como a Praça da Sé, a rua 25 de Março e o Anhangabaú, além das cenas abertas de uso.

“O 7º BPM não tem uma área muito extensa, mas a complexidade é alta. Temos um público flutuante de milhões de pessoas por dia. É uma responsabilidade muito grande. O desafio é motivar todos os dias a tropa a trabalhar bem e a servir a comunidade”, afirma a comandante, que tem se destacado com as sucessivas quedas nos índices de roubos e furtos na região.

Após se formar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em 1996, Rosemeire passou por batalhões na capital e no interior. Também atuou no Centro de Comunicação da corporação antes de se tornar primeira mulher a comandar o 7º BPM em seus quase 60 anos de história. “Hoje, a mulher exerce as mais diversas funções. Desde que ela tenha competência, pode fazer o que quiser dentro da PM”, afirma a tenente coronel.

A comandante conta que, desde criança, pensava em ser policial. Hoje, com 53 anos, 31 deles vividos na Polícia Militar, incentiva as novas gerações de garotas que, assim como ela, aspiram chegar um dia no comando de um batalhão.

Ivalda Aleixo, diretora do DHPP

“A Polícia Civil precisa de mais mulheres. A gente começa lá embaixo mesmo, no plantãozinho, mas vai subindo e chega lá. Tem que ter vontade e garra para trabalhar e fazer a diferença”, diz a delegada

Ivalda Aleixo é diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), um dos mais importantes setores de atuação da Polícia Civil. No comando de cerca de 400 policiais, a maioria homens, Ivalda afirma que, embora tenha tido que superar desafios, hoje se sente respeitada no local de trabalho.

Antes de ser alçada ao cargo de diretora do DHPP, Ivalda atuou como plantonista em periferias e na região central da capital. Por ter formação em informática, também trabalhou na transição da Polícia Civil para os meios eletrônicos, ajudando na informatização dos Distritos Policiais. Após passar por áreas de inteligência, assumiu a chefia da Divisão de Capturas.

“Ali, foi um trabalho operacional. Então, todos que me viam com um computador na mão e sendo assistente começaram a me ver na rua, pulando muro e prendendo pessoas. E aí falaram: ‘não é que ela faz também’”, afirma a delegada.

Ivalda se diz realizada profissionalmente e incentiva que outras meninas sigam na carreira policial. “A Polícia Civil precisa de mais mulheres. A gente começa lá embaixo mesmo, no plantãozinho, mas vai subindo e chega lá. Tem que ter vontade e garra para trabalhar e fazer a diferença”.

Coronel Adriana Roledo Belluzzo, comandante do CPI-10

“Eu achei um desafio, mas falei que era capaz. Não imaginava que depois de 30 anos de corporação eu ia estar aprendendo tanto”, celebra a coronel

Com 49 anos, sendo 31 deles na Polícia Militar de São Paulo, a coronel Adriana Roledo Belluzzo alcançou a patente mais alta na corporação. Filha de militar, ela não teve dúvidas ao escolher a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, quando apenas 13 vagas eram destinadas às mulheres.

No ano passado, tornou-se a primeira mulher comandante do CPI-10, que abrange 43 municípios da região Noroeste do Estado. Também recebeu a função de liderar a tropa especial paulista na Operação Impacto SULMASSP III. A ação reuniu policiais de cinco estados com o objetivo de combater a atuação de organizações criminosas em divisas e fronteiras do Brasil com outros países.

A coronel comandou durante a ação 230 policiais de tropas especializadas de São Paulo. “Eu achei um desafio, mas falei que era capaz. Não imaginava que depois de 30 anos de corporação eu ia estar aprendendo tanto”. Parte das ações aconteceram com deslocamentos de helicóptero, quando ela viajava com outra coronel, subcomandante da PM-MS, e uma capitão piloto mulher. “Somos poucas, mas nós também ocupamos funções estratégicas. Isso a gente não via até pouco tempo atrás”, afirma.

Jaqueline Suzan, mergulhadora dos bombeiros

Sargento Jaqueline Suzan entrou para o Corpo de Bombeiros em 1996 aos 18 anos. Hoje, ela é uma das mulheres há mais tempo na corporação

A sargento Jaqueline Suzan entrou para o Corpo de Bombeiros em 1996 aos 18 anos. Hoje, ela é uma das mulheres há mais tempo na corporação, completando 28 anos de farda neste mês. Logo que entrou, se especializou em mergulho e, até hoje, atua resgatando corpos de pessoas afogadas que estão submersas em represas.

Jaqueline foi a primeira mulher de Arujá, região metropolitana de São Paulo, no quartel do Corpo de Bombeiros. “Eles tiveram que se adaptar, até então tinham uma rotina apenas masculina”, conta.

Quando ingressou, a sargento revela que as mulheres ainda precisavam provar que tinham capacidade para o cargo. Mas explica que, com as diferentes técnicas para atender a ocorrência, elas ganharam espaço. “A mulher é mais detalhista e cuidadosa. Ela leva essa leveza para a população.Se a mulher tem um sonho, ela não tem que desistir”, afirma.

Mariana da Silva Ferreira, médica-legista

Mariana é médica-legista há quase quinze anos, sendo dez no atendimento a casos de violência sexual

Médica, com Residência em Medicina-Legal e Perícias Médicas pela USP (Universidade de São Paulo), Doutora Mariana da Silva Ferreira, 44, tem um papel importante na gestão de ações e projetos de aprimoramento do atendimento de vítimas de violência doméstica contra as mulheres e violência sexual no Estado de São Paulo. Atualmente compõe o quadro da Polícia Científica do Estado, como Assistente Técnica da Superintendência.

É médica-legista há quase quinze anos e atuou dez anos exclusivamente com casos de violência sexual, realizando perícia de constatação de estupro no Programa Bem-Me-Quer da capital paulista, ela enxerga que a presença da mulher nesse atendimento faz diferença, pois a figura feminina pode trazer mais conforto durante a perícia sexológica, que é um exame extremamente íntimo. “O principal agressor sexual é do sexo masculino, portanto, é natural que o exame realizado por um homem cause menos conforto do que por uma profissional mulher.

A presença feminina, principalmente nesses atendimentos, é muito importante, mas claro que em decorrência da falta de servidoras temos que priorizar a qualidade e capacitação de todos os Legistas, independente do gênero.” Na cidade de São Paulo, na Sexologia Forense do Programa Bem-Me-Quer, o atendimento a casos de violência sexual é composto por mulheres. No entanto, na área da Medicina-Legal e perícias médicas como um todo, ela ainda percebe predominância masculina.

“Claro que também não podemos apenas identificar um bom atendimento especificamente pelo gênero, mas sim pelo preparo do profissional. No Estado temos menos mulheres do que homens em atividade pericial, mas a procura pela carreira está aumentando”, relata a Doutora.
A predominância masculina fez muitas pessoas questionarem a escolha de Mariana pela Medicina-Legal. Mas, apaixonada pela área, ela persistiu, e hoje está no cargo de Assistência Técnica da Superintendência da Polícia Científica do Estado de São Paulo.

“Foi um processo bem natural. Eu vivenciei a rotina dos plantões por mais de 10 anos, que são muito difíceis e desafiadores, porque, a maioria dos meus atendimentos era de crianças e adolescentes. Aqui em São Paulo temos uma demanda gigantesca, são milhares de vítimas por ano que o serviço atende”.

Reconhecendo a importância da representatividade feminina nas forças policiais, Doutora Mariana deseja um futuro com menos desigualdade: “Eu espero que em um futuro não muito longe nós possamos ser identificadas pela nossa capacidade, não pelo gênero e que as mulheres não precisem se preocupar, pois elas podem sim ingressar na carreira policial e exercer seus trabalhos com grande competência técnica”.

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