Um conjunto de 50 propostas selecionadas pelo Programa de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa do Estado de São Paulo (PAIP), da FAPESP, promete transformar a forma como pesquisadores e o público acessam a memória cultural do Brasil. Lançadas em julho de 2025, as chamadas contemplaram 38 projetos de acervos museológicos, bibliográficos e arquivísticos, além de 12 voltados a coleções biológicas, como herbários e conjuntos de células.
Preservação além da memória
O apoio financeiro da FAPESP permitirá a aquisição de equipamentos multiusuários, suporte para instalação e a contratação de bolsas de Treinamento Técnico. O objetivo central é converter acervos vulneráveis à ação do tempo em infraestruturas de pesquisa moderna. Entre as instituições beneficiadas estão o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), a Fundação Bienal de São Paulo e a Escola Superior de Artes Célia Helena.
Digitalização de documentos históricos
Um dos destaques é o projeto no Arquivo Histórico Wanda Svevo, da Bienal de São Paulo. Sob coordenação de Lígia Fonseca Ferreira, a iniciativa focará na Coleção Dossiês de Artistas, que contém mais de 100 mil documentos, incluindo cartas, fichas de inscrição e recortes de jornais acumulados desde 1951. Conforme explica Guilherme Vieira, gerente do arquivo, o projeto permitirá pela primeira vez a higienização, identificação e digitalização integral desse acervo, que documenta trajetórias de artistas brasileiros e internacionais.
Novas infraestruturas para o teatro e artes visuais
O MAM de São Paulo, que completa 80 anos em 2028, utilizará cerca de R$ 1,4 milhão para criar o seu Centro de Documentação e Memória (Cedoc). Segundo o curador Cauê Alves, o museu irá digitalizar registros que incluem projetos arquitetônicos de Lina Bo Bardi e correspondências históricas, como uma carta do pintor Di Cavalcanti. A preocupação também abrange a preservação de arquivos nativos digitais, como e-mails de curadores e artistas.
Já na área das artes cênicas, a Escola Superior de Artes Célia Helena desenvolve o projeto “Cena da Memória”. O objetivo é organizar e disponibilizar um acervo que compreende textos, cartazes e mais de 120 itens audiovisuais da atriz Célia Helena. A dirigente Lígia Cortez destaca que a meta é criar um portal que funcione como um centralizador da história do teatro no Brasil, permitindo conexões com acervos de diversas regiões do país, tornando o acesso à memória teatral mais democrático e acessível.
- Organização de plataformas digitais de consulta.
- Higienização e conservação de documentos físicos vulneráveis.
- Integração de dados sobre gênero, raça e etnia nos dossiês artísticos.
- Implementação de sistemas de gerenciamento como o software livre CollectiveAccess.
Com informações de Agência SP.
