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Registro raro de família de lobo-guará celebra conservação em área protegida

Um registro raro movimentou a equipe da Estação Ecológica (EE) Barreiro Rico, localizada entre os rios Piracicaba e Tietê, em São Paulo. Uma loba-guará foi flagrada caminhando com seus três filhotes, uma cena que confirma a eficácia das medidas de preservação ambiental adotadas na Unidade de Conservação. O flagrante demonstra que, mesmo em áreas que mesclam fragmentos de florestas e atividades agrícolas, a fauna silvestre encontra refúgio para se reproduzir.

O impacto da prevenção de incêndios

A ausência de incêndios florestais tem sido um dos pilares para a proteção dos animais na região. Segundo João Marcelo, gestor da EE Barreiro Rico, a área não registra queimadas desde 2018. Esse resultado é fruto de uma colaboração entre a Fundação Florestal, proprietários rurais, brigadas locais e órgãos públicos. A estratégia inclui a criação de aceiros e o monitoramento constante do território.

A importância dessas ações reflete-se na biodiversidade local, que abriga mais de 37 espécies de mamíferos, além de centenas de aves, répteis e anfíbios. O trabalho de prevenção é essencial, visto que o último grande incêndio na região ocorreu em 2012, deixando cicatrizes profundas no ecossistema.

Medidas de proteção contra atropelamentos e doenças

Além das queimadas, a gestão busca mitigar os riscos inerentes à proximidade com estradas. Em 2024, uma travessia aérea foi instalada na via AHB171 para facilitar o deslocamento de animais entre a Estação Ecológica e áreas adjacentes. A sinalização e o monitoramento de trechos críticos são outras ferramentas usadas para evitar atropelamentos de fauna.

Outro ponto crítico é a saúde dos canídeos silvestres, que correm riscos devido ao contato com animais domésticos. Doenças como cinomose, parvovirose e sarna sarcóptica podem ser transmitidas caso não haja um controle sanitário rigoroso. Especialistas reforçam que a vacinação de cães em áreas rurais e a guarda responsável são fundamentais para evitar que patógenos afetem a população de lobos-guarás.

Monitoramento no estado de São Paulo

A presença da espécie na região de Barreiro Rico não é um evento isolado. De acordo com o sistema Monitora BioSP, foram contabilizados 3.062 registros de lobos-guarás em áreas protegidas pela Fundação Florestal entre 2022 e 2025. Dados como estes são vitais para a ciência:

  • Identificação de áreas prioritárias para conservação.
  • Compreensão do uso do território pela espécie.
  • Orientação de políticas públicas e manejo de UCs.

A loba-guará, sendo o maior canídeo da América do Sul, desempenha um papel ecológico crucial ao dispersar sementes de frutos nativos, como a lobeira. Sua sobrevivência e reprodução, portanto, garantem a manutenção dos processos naturais necessários para a saúde das florestas paulistas.

Com informações de Agência SP.