Butantan cria nanotecnologia verde contra dengue e esquistossomose
Cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, desenvolveram uma tecnologia inovadora baseada na “nanotecnologia verde” para combater dois dos maiores problemas de saúde pública no Brasil: a esquistossomose e doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya. O estudo, publicado na revista internacional Environmental Science: Nano, detalha o uso de nanopartículas de prata sintetizadas a partir do fungo Aspergillus tubingensis.
Como funciona a “nanofábrica” biológica
Diferente dos métodos químicos tradicionais, que costumam utilizar solventes poluentes e tóxicos, a abordagem dos pesquisadores do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do Butantan é sustentável. O processo utiliza o secretoma do fungo Aspergillus tubingensis, que atua como uma “nanofábrica”. As biomoléculas do microrganismo reduzem os íons de prata e criam uma cápsula protetora ao redor das nanopartículas, permitindo uma liberação gradual e controlada da substância.
- Alta eficácia: eliminação de 100% das cercárias (larvas do verme da esquistossomose) em duas horas.
- Ação larvicida: eficácia comprovada contra larvas do Aedes aegypti no quarto estágio de desenvolvimento após 48 horas.
- Seletividade: as nanopartículas agem nos vetores sem comprometer a fauna aquática, como peixes, camarões e microcrustáceos.
Impacto prático na saúde pública
A esquistossomose, que afeta milhões de pessoas, é transmitida através de águas doces contaminadas por cercárias liberadas por caramujos. Atualmente, o controle dessas áreas é feito com moluscicidas químicos que, além de caros, são tóxicos para o ecossistema. A nova tecnologia oferece uma alternativa seletiva que interrompe o ciclo da doença antes que o parasita infecte humanos, sem a necessidade de erradicar toda a fauna local.
Estabilidade e futuro da tecnologia
Um diferencial importante desta pesquisa, que já conta com carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) desde 21 de julho de 2026, é a durabilidade do material. Testes laboratoriais confirmaram que as nanopartículas mantêm a mesma eficiência e estabilidade por mais de cinco anos em temperatura ambiente.
A tecnologia alinha-se ao conceito de “Saúde Única” (One Health), ao integrar a proteção da saúde humana e animal com a preservação do meio ambiente. Atualmente, a equipe trabalha na viabilização do uso em larga escala, buscando formas de facilitar o transporte e a aplicação do composto, visando oferecer uma solução de custo viável para o sistema de saúde brasileiro.
Com informações de Agência SP.